
Sabe aquela sensação de estar sozinha em casa, ouvir um barulho estranho e pensar “não é nada”, mas ao mesmo tempo sentir que algo está errado? Você olha para a porta, para a janela, para o armário. Tudo parece normal. Mas não consegue se livrar daquele aperto no peito, daquela certeza irracional de que alguém está ali, observando, esperando.
Uma Mulher no Escuro, de Raphael Montes, é exatamente essa sensação. Só que ela não passa depois de alguns segundos. Ela dura 256 páginas. E quando você termina o livro, continua ali, na sua cabeça, como uma sombra que você não consegue sacudir.
Publicado pela Editora Companhia das Letras em 2019, o livro é um dos títulos mais subestimados do autor — e também um dos mais intensos . É o primeiro romance de Montes com uma protagonista feminina, e também um dos mais psicologicamente densos. E, para coroar, venceu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance de Entretenimento em 2020 .
A história começa com uma tragédia: uma família inteira assassinada dentro de casa, os rostos das vítimas pichados com tinta preta. A única sobrevivente é uma menina de quatro anos. Vinte anos depois, essa menina é uma mulher solitária, cheia de traumas, que vive observando a vida dos outros pelas janelas do apartamento na Lapa, Rio de Janeiro. Até que o passado bate à sua porta. E ela não sabe mais em quem confiar .
Vamos entrar nesse apartamento? Mas, se me permite um conselho: não confie em ninguém.

Tudo começa em 1998, no Rio de Janeiro. A família Bravo — pai, mãe e o filho mais velho — é brutalmente assassinada dentro da própria casa . O criminoso é um ex-aluno da escola onde os pais trabalhavam, um garoto de 17 anos chamado Santiago. Depois de matar os três, ele picha os rostos das vítimas com tinta preta, como se estivesse assinando uma obra de arte. A única sobrevivente é Victoria Bravo, que na época tinha apenas quatro anos .
Vinte anos se passam. Victoria é uma jovem de 24 anos, solitária, tímida, cheia de traumas. Mora sozinha em um apartamento na Lapa, Rio de Janeiro, onde trabalha em um café e faz terapia com o Dr. Max . Seu único “amigo” é Arroz, um rapaz que conheceu pela internet, mas com quem mantém uma distância segura — ele não sabe quase nada sobre sua vida, nem sobre o passado que a assombra.
Ela não confia em ninguém. E com razão.
Até que, um dia, Victoria chega em casa e encontra a porta arrombada. Na parede, alguém pichou: “Vamos brincar?” . O mesmo tipo de pichação que marcou o rosto de sua família naquela noite de 1998.
O pânico volta. O passado, que ela passou duas décadas tentando enterrar, ressurge com força total. Alguém está observando Victoria. Alguém sabe onde ela mora, onde trabalha, com quem se relaciona. Alguém está atormentando ela, sistematicamente, como um gato brincando com o rato antes de matar.
Santiago, o assassino que matou sua família, está de volta? Ou alguém está usando o que sabe sobre o passado de Victoria para aterrorizá-la?
Ela não sabe. Mas vai descobrir. E, nessa jornada, vai precisar mergulhar nas zonas mais escuras da própria mente e desenterrar verdades que talvez fosse melhor deixar enterradas.
Uma das grandes sacadas de Uma Mulher no Escuro é o elenco de personagens . Montes constrói um círculo fechado em torno de Victoria, e cada um deles tem algo a esconder. E o leitor, junto com ela, vai passando de suspeito em suspeito, sem nunca ter certeza de nada.
Victoria é a primeira protagonista feminina de Raphael Montes. E ele não facilitou a vida dela.
Ela é uma personagem complexa, contraditória, difícil. Desde criança, carrega o peso de ter sobrevivido a algo que deveria ter morrido junto. A culpa do sobrevivente é um fardo que ela carrega nas costas como uma mochila cheia de pedras. E essa culpa a torna desconfiada, fechada, incapaz de se abrir para qualquer pessoa .
Uma leitora descreveu: “Victoria é uma garota claramente cheia de traumas devido a essa tragédia, mas é impressionante que ela pelo menos tenta ir em frente, mesmo com os obstáculos que são criados” . Ela trabalha, paga suas contas, faz terapia. Mas não deixa ninguém entrar. Arroz, seu único amigo, não sabe quase nada sobre ela. O Dr. Max, seu psiquiatra, sabe o que ela permite que ele saiba. Georges, o possível interesse amoroso, está sempre às portas, mas ela mantém a distância .
E quando o terror volta, Victoria não hesita. Ela decide enfrentar o passado. E é aí que a personagem se revela: por trás da timidez, há uma força que ela mesma desconhecia. Uma leitora apontou: “apesar de todo trauma, quando a coisa pega, ela mostra que não é nada frágil e o autor soube explorar muito bem essa parte da personagem” .
Mas Victoria também é uma narradora não confiável. Em vários momentos, sua percepção dos fatos é distorcida pelo trauma, pelo medo, pela paranoia . E o leitor fica ali, no mesmo lugar que ela: tentando separar o que é real do que é invenção da mente.
Victoria tem apenas quatro pessoas em sua vida. E qualquer uma delas pode ser o algoz:
E, claro, há Santiago — o assassino original. Ele está foragido há 20 anos. Ninguém sabe onde ele está. Mas ele poderia estar de volta. E poderia estar muito mais perto do que Victoria imagina .
Uma leitora resumiu a angústia da leitura: “O mais angustiante é que a gente sabe que algum dos homens que estão na sua vida são uma ameaça, mas a gente não tem noção de qual e tenta criar teorias. Eu mesma cheguei muito perto, mas nada me preparou pra o que foram as reviravoltas colocadas por Montes nessa história” .
Se tem um nome que já é garantia de estômago revirado na literatura brasileira, esse nome é Raphael Montes. Nascido no Rio de Janeiro em 1990, o autor estreou em 2012 com Suicidas, um romance que já nasceu clássico e que o consagrou como um dos nomes mais promissores do suspense nacional .
Depois vieram Dias Perfeitos (2014), Jantar Secreto (2016), O Vilarejo (2019) e, claro, Uma Mulher no Escuro . Além da literatura, Montes também é roteirista — escreveu a novela Beleza Fatal para a Max e foi um dos criadores da série Bom dia, Verônica, da Netflix .
O que torna Montes tão único é sua capacidade de transformar o cotidiano em algo aterrorizante. Ele não precisa de elementos sobrenaturais para criar horror. O horror, em seus livros, é humano, doméstico, visceral. É o que uma pessoa é capaz de fazer com outra quando o amor se transforma em posse, quando a proteção se transforma em violência, quando a mentira se torna a única forma de sobreviver.
Uma leitora do blog Roendo Livros destacou essa característica: “Os livros do Raphael são bem fortes e repletos de sangue, mortes e tragédias” . Outra leitora completou: “Ele quis explorar o medo nesse livro, Victoria passa por situações críticas que abalam seu emocional e a deixam aterrorizada” .
E, diferentemente de outros títulos do autor, Uma Mulher no Escuro traz uma protagonista feminina — e Montes soube construir uma personagem que não é vítima passiva, mas uma sobrevivente que luta para retomar o controle da própria vida.
Uma Mulher no Escuro é um livro curto — 256 páginas que voam . Mas não se engane: a leitura não é rápida porque é fácil. É rápida porque você precisa saber o que vai acontecer. Uma leitora confessou: “Eu fiquei extremamente ansiosa lendo, tanto que tive que terminar de uma vez” .
A estrutura do livro é um dos seus grandes trunfos. Montes alterna entre o presente (Victoria adulta, lidando com o terror que volta) e o passado (flashbacks da noite do crime, da investigação, da infância de Victoria) . Essa alternância cria um ritmo que não deixa o leitor descansar. Cada vez que você acha que está entendendo alguma coisa, um novo flashback aparece e tudo desaba.
A narração é em terceira pessoa, o que dá uma visão mais ampla e necessária para o desenvolvimento da trama . Como uma leitora apontou: “o autor tem algo característico de seus livros que é te encher de perguntas e respondê-las nas últimas 100 páginas jogando todas as respostas de uma vez só” . É um recurso que divide opiniões: alguns amam, outros preferem um desfecho mais diluído ao longo da história.
Mas o que ninguém discorda é que as reviravoltas são de explodir a cabeça.
Uma leitora do Conduta Literária disse: “O final trouxe revelações que eu já esperava, embora não quisesse acreditar, mas isso não tira o impacto das coisas, pois mais uma vez, o autor consegue chocar” . Outra leitora, do Skoob, foi mais enfática: “Fiquei chocada com várias cenas ao longo do livro e, principalmente, com o final inesperado” .
Há quem diga que o final é óbvio demais — e essa é a crítica mais recorrente . Uma leitora apontou: “Para mim, o desfecho foi um pouco óbvio, o que diminuiu o fator surpresa tão característico dos outros livros do autor” . Outra leitora disse: “Dessa vez consegui desvendar o plot twist” .
Mas, ao mesmo tempo, há quem defenda que, mesmo previsível em alguns aspectos, o final mantém o impacto. Uma leitora resumiu: “O final é loucura total, mas amei” .
Uma Mulher no Escuro não é apenas um thriller. É um livro que cutuca feridas que a gente prefere ignorar.
Victoria sobreviveu. Seus pais e seu irmão, não. E essa sobrevivência vem com um preço: a culpa. Por que eu? Por que eles? O que eu fiz para merecer viver? Essas perguntas não têm resposta, mas não param de ecoar na cabeça de Victoria, 20 anos depois .
Uma leitora observou: “Impossível não crescer traumatizada, né?” . É exatamente isso. O trauma de Victoria não é apenas o que aconteceu naquela noite. É o que aconteceu depois: a solidão, a desconfiança, a incapacidade de se relacionar, a necessidade de manter todos à distância.
Victoria mora sozinha, trabalha em um café onde mal conversa com os clientes, tem um único amigo virtual que não sabe nada sobre ela. Ela construiu uma fortaleza ao redor de si mesma, e ninguém consegue entrar. Mas essa fortaleza também é uma prisão.
Uma leitora apontou: “A garota dessa parece ter passado por muita coisa ruim, coisas que deixaram sequelas e já me deixou torcendo por ela. Mas com medo por qualquer um que esteja na vida dela também” . É isso que Montes faz: ele nos coloca dentro da cabeça de Victoria, e a gente sente o medo, a paranoia, a certeza de que ninguém é confiável.
Um dos pontos mais fortes do livro é a forma como Montes explora a violência psicológica — aquela que não deixa marcas visíveis, mas destrói por dentro. Victoria foi vítima de uma violência brutal aos 4 anos. Mas a violência que ela sofre agora, 20 anos depois, é ainda mais insidiosa. É a violência de quem sabe seus segredos, de quem mexe com sua cabeça, de quem a faz duvidar da própria sanidade.
Uma das frases mais marcantes do livro é: “O excesso de amor é tão perigoso quanto a falta” . E essa frase atravessa toda a história. O que acontece quando o amor vira obsessão? Quando a vontade de proteger se transforma em vontade de controlar? Quando o desejo de estar perto se torna uma prisão?
Uma leitora destacou que essa frase “é o fio condutor de toda a trama, seja no plano romântico, seja no plano familiar e até mesmo no psicótico” .
Uma Mulher no Escuro é um livro pesado. E é bom que você saiba disso antes de abrir a primeira página.
O livro contém cenas de:
Uma leitora do blog Roendo Livros alertou: “Eu fiquei extremamente ansiosa lendo, tanto que tive que terminar de uma vez. (…) As cenas são gráficas. E elas rodeiam assuntos pesados” .
Outra leitora completou: “Tudo de mais horrível que você puder imaginar você vai encontrar nesse livro, nenhum personagem se salva aqui (somente a Victoria), de resto todos podres, todos todos” .
Se você tem sensibilidade a esses temas, talvez seja melhor deixar este livro para outra hora. Mas, se você já conhece o estilo de Raphael Montes e está preparado para o desconforto, vai encontrar ali uma obra que não vai te largar tão cedo.
As avaliações dos leitores brasileiros são majoritariamente positivas, com algumas ressalvas.
Uma leitora da Amazon deu 5 estrelas e escreveu: “A história é muito boa e empolgante, li metade do livro em 2 dias. Dessa vez consegui desvendar o plot twist, realmente é um livro que vale a pena!” .
Outra leitora, também com 5 estrelas, disse: “O livro me surpreendeu positivamente. Eu vivia pelas falas do Santiago. Recomendo fortemente” .
Uma leitora do Skoob foi enfática: “Todo livro que leio do Raphael Montes eu consagro ele (novamente) como meu autor nacional favorito. Posso estar enganada, mas acredito que esse é o livro de maior suspense do autor. Em vários momentos da leitura me peguei prendendo a respiração, de fato é uma obra de tirar o fôlego” .
Já um leitor que deu 3 estrelas foi mais crítico: “Não gostei dos apelidos, achei monótono, masssante em alguns momentos, adivinhei o plot antes e comparado com jantar secreto esse livro não chega aos pés” .
Outra leitora, que também deu 3 estrelas, foi mais analítica: “Para mim, o desfecho foi um pouco óbvio, o que diminuiu o fator surpresa tão característico dos outros livros do autor. (…) Isso, no entanto, não diminui a qualidade do livro de forma alguma. ‘Uma Mulher no Escuro’ é, sem dúvida, uma obra extraordinária” .
O consenso parece ser: Uma Mulher no Escuro é um bom livro de suspense, com personagens bem construídos e reviravoltas engenhosas, mas talvez não seja o melhor de Raphael Montes. Para quem está começando a ler o autor, pode ser uma ótima porta de entrada. Para quem já leu Jantar Secreto e Suicidas, pode sentir falta de um pouco mais de imprevisibilidade.
Uma Mulher no Escuro está disponível no Brasil pela Editora Companhia das Letras em formato brochura, com 256 páginas . A edição foi lançada em 2019 e continua em catálogo, sendo reeditada regularmente.
A classificação indicativa é 18 anos — e é para levar a sério .
Recomendado para:
Não recomendado para:
Uma Mulher no Escuro não é o livro mais famoso de Raphael Montes. Não é o mais aclamado pela crítica. Não tem a fama de Jantar Secreto ou Bom dia, Verônica. Mas é, para muitos leitores, um dos mais pessoais e psicologicamente densos que ele já escreveu.
Porque, no fundo, Uma Mulher no Escuro é sobre a solidão. Sobre o que acontece com a gente quando o trauma nos ensina que não podemos confiar em ninguém. Sobre a culpa que a gente carrega por ter sobrevivido. Sobre a violência que se esconde nas relações que deveriam nos proteger. Sobre o amor que se transforma em obsessão e vira prisão.
Uma leitora resumiu bem: “O livro é capaz de te fazer sentir raiva, nojo, indignação e, no final, um certo vazio. Mas também te faz pensar. E livros que fazem pensar são os que merecem ser lidos” .
Então, se você está disposto a encarar, vai em frente. Mas, se me permite um conselho: não confie em ninguém. Olhe para cada personagem com desconfiança. Anote as pistas. Crie suas teorias. E, quando chegar ao final, me conta: você acertou quem era? Ou, como a maioria, foi pego de surpresa?
E, acima de tudo, lembre: a verdade, às vezes, é mais assustadora do que qualquer ficção.
Ficha Técnica:
| Item | Informação |
|---|---|
| Título | Uma Mulher no Escuro |
| Autor | Raphael Montes |
| Editora | Companhia das Letras |
| Páginas | 256 |
| Ano | 2019 |
| ISBN | 978-8535931761 |
| Gênero | Thriller Psicológico / Suspense |
| Formato | Brochura |
| Classificação etária | 18 anos |
| Prêmios | Prêmio Jabuti de Melhor Romance de Entretenimento (2020) |







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