
Em Slewfoot: A Fábula das Bruxas, o escritor e artista Brom constrói uma narrativa de terror folclórico profundamente enraizada no medo religioso, na repressão social e na violência legitimada pela fé. Publicado no Brasil pela DarkSide Books, o livro se afasta do horror convencional para mergulhar em uma atmosfera densa, simbólica e historicamente marcada.
Aqui, o terror não nasce de monstros imprevisíveis, mas da rigidez moral, do fanatismo e da necessidade humana de encontrar culpados para tudo aquilo que escapa ao controle.

Ambientado em uma comunidade puritana do século XVII, Slewfoot retrata um mundo em que religião e poder caminham juntos. A fé não aparece como conforto espiritual, mas como instrumento de vigilância, punição e exclusão. Qualquer comportamento fora da norma é visto como ameaça.
Brom constrói esse ambiente com cuidado, mostrando como a paranoia coletiva se alimenta do medo e da ignorância. O mal não é uma força externa que invade a comunidade; ele já está presente na estrutura social.
Em Slewfoot A Fábula das Bruxas, a violência é institucional.
A protagonista, Abitha, é uma jovem viúva que ocupa uma posição vulnerável dentro dessa sociedade rígida. Sua existência já representa um desvio: mulher, sozinha, independente demais para os padrões impostos. A partir dela, o livro explora como o corpo feminino se torna alvo de suspeita, vigilância e punição.
A transformação de Abitha ao longo da narrativa não é simples nem idealizada. Ela é atravessada por dor, raiva e necessidade de sobrevivência. O terror do livro está em acompanhar como a opressão constante empurra alguém para limites extremos.
A figura de Slewfoot surge como presença ambígua, ligada à natureza, ao instinto e ao que foi reprimido. Ele não é um demônio clássico nem uma entidade puramente maligna. Sua existência questiona as definições rígidas de bem e mal impostas pela comunidade.
Brom utiliza o folclore para criar um terror simbólico, no qual a verdadeira ameaça não é o que vive nas florestas, mas o que se esconde nos discursos moralistas. O sobrenatural funciona como espelho das violências humanas.
Slewfoot se insere claramente na tradição do terror folclórico, em que crenças antigas, rituais e mitos são usados para expor estruturas sociais opressivas. O livro dialoga com temas como perseguição às bruxas, misoginia, fanatismo religioso e controle social.
A narrativa mostra como o medo do desconhecido é frequentemente usado para justificar atrocidades. Bruxas não são criadas pelo sobrenatural, mas pela necessidade de manter a ordem por meio do terror.
Como artista visual, Brom imprime à narrativa uma escrita altamente imagética. O leitor sente o peso da lama, da floresta, do frio e da clausura social. A atmosfera é constante, opressiva, sem grandes momentos de alívio.
O ritmo é deliberado, permitindo que o desconforto se instale e amadureça. O horror não busca choque imediato, mas imersão profunda.
Slewfoot não oferece conforto nem finais fáceis. Sua força está em mostrar que, em certos contextos, sobreviver exige romper com expectativas morais impostas por sistemas violentos. O livro não romantiza a dor, mas tampouco suaviza a brutalidade histórica que retrata.
É uma narrativa que confronta o leitor com perguntas incômodas sobre fé, justiça e violência legitimada.
Slewfoot: A Fábula das Bruxas é um terror folclórico intenso, simbólico e profundamente crítico. Brom constrói uma história em que o verdadeiro horror nasce da intolerância e do medo institucionalizado, usando o sobrenatural como linguagem para expor violências reais.
É uma leitura indicada para quem busca terror atmosférico, narrativas históricas sombrias e livros que utilizam o gênero para refletir sobre poder, gênero e repressão.
![30 Filmes de Lobisomem que Transformaram o Cinema de Terror [ATUALIZADO 2025]](https://portalsobrenatural.com.br/wp-content/uploads/2025/05/filmes-de-lobisomem-150x150.jpg)





