
Você já ouviu aqueles barulhos estranhos na casa durante a noite que fazem seu coração acelerar? Imagine se, em vez de simples rangidos de madeira, sua casa começasse a apresentar fenômenos inexplicáveis que desafiam a lógica. Foi exatamente isso que a família Hodgson viveu entre 1977 e 1979, em uma casa modesta no bairro de Enfield, em Londres, no que ficou conhecido como o Poltergeist de Enfield.
Este caso se tornou um marco na pesquisa paranormal britânica não apenas pelos relatos impressionantes de móveis que se moviam sozinhos ou objetos que voavam pelos cômodos, mas principalmente pela extensa documentação que gerou: centenas de horas de gravações, fotografias, depoimentos oficiais e investigações profissionais. Como uma história que parece saída de um filme de terror, mas com testemunhas reais e evidências tangíveis.
Neste artigo, vamos mergulhar nos detalhes deste fascinante episódio que continua gerando debates entre céticos e crentes no sobrenatural. Prepare-se para conhecer os eventos, personagens e mistérios por trás do caso paranormal mais documentado do Reino Unido.

Entre agosto de 1977 e 1979, uma casa comum no subúrbio londrino de Enfield tornou-se o epicentro de um dos casos paranormais mais documentados e controversos da história. O Poltergeist de Enfield envolveu uma série de fenômenos inexplicáveis que aterrorizaram a família Hodgson e capturaram a atenção mundial.
Peggy Hodgson, mãe solteira de quatro filhos, testemunhou junto com seus filhos eventos que desafiavam a lógica e a compreensão científica. Móveis se movendo sozinhos, batidas nas paredes, objetos arremessados através dos cômodos e uma misteriosa voz masculina são apenas alguns dos fenômenos relatados.
O caso foi investigado exaustivamente por especialistas, jornalistas e céticos, gerando mais de 250 horas de gravações de áudio e inúmeras fotografias.
Mas o que realmente aconteceu naquela casa de classe trabalhadora no número 284 da Green Street? Seria tudo uma elaborada fraude ou estaríamos diante de evidências genuínas de atividade paranormal?

Tudo começou numa noite de agosto de 1977, quando Janet (11 anos) e Margaret (13 anos), filhas de Peggy Hodgson, relataram ter visto suas camas se movendo sozinhas. Inicialmente, como qualquer mãe, Peggy suspeitou que as meninas estavam brincando, mas logo ela mesma testemunhou eventos perturbadores: móveis deslizando pelo chão sem nenhum contato físico, batidas ritmadas e inexplicáveis nas paredes e objetos aparentemente arremessados por mãos invisíveis.
Desesperada, Peggy contatou a polícia. Os oficiais que visitaram a residência presenciaram uma cadeira se movendo sozinha pelo cômodo – um fato documentado em relatório policial, representando um dos primeiros testemunhos oficiais do caso.
À medida que os dias passavam, os fenômenos intensificaram-se. Entre os mais notáveis e documentados estavam:
A tabela abaixo resume os principais fenômenos e as evidências coletadas:
| Fenômeno | Testemunhas | Evidências Coletadas |
|---|---|---|
| Móveis se movendo | Família, policiais, investigadores, jornalistas | Fotografias, relatos escritos, depoimentos em vídeo |
| Batidas nas paredes | Família, vizinhos, investigadores | Gravações de áudio, testemunhos |
| Voz de “Bill” | Investigadores, jornalistas | Mais de 200 horas de gravações de áudio |
| Levitação de Janet | Investigadores | Fotografias (contestadas) |
| Objetos arremessados | Família, investigadores | Fotografias, gravações em vídeo |
O Poltergeist de Enfield rapidamente capturou a imaginação do público britânico e, posteriormente, mundial. Vários fatores contribuíram para sua notoriedade:
Os fenômenos em Enfield tornaram-se um marco na pesquisa paranormal, não apenas por sua intensidade e duração, mas também pelo rigor com que foram documentados, estabelecendo um padrão para investigações futuras.

Diante da crescente atenção midiática, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (SPR), uma das mais antigas organizações dedicadas ao estudo de fenômenos paranormais, designou dois investigadores para analisar o caso: Maurice Grosse, um inventor e empresário que havia perdido uma filha recentemente, e Guy Lyon Playfair, um escritor com experiência prévia em casos de poltergeist no Brasil.
Maurice Grosse chegou à casa dos Hodgson em setembro de 1977, inicialmente cético mas aberto a possibilidades. Após testemunhar diversos fenômenos inexplicáveis, ele dedicou 18 meses à investigação do caso, visitando a residência quase diariamente.
Grosse implementou métodos científicos rigorosos:
Seu comprometimento com o caso e sua abordagem metódica renderam respeito mesmo entre os céticos, e suas extensas gravações e documentações constituem o maior arquivo sobre um único caso paranormal já coletado.
Um dos aspectos mais arrepiantes e controversos do caso foi a manifestação de uma voz grave e rouca, alegadamente emanando da garganta de Janet Hodgson, que se identificava como “Bill” – supostamente o espírito de um homem que havia morrido na casa anos antes.
As gravações de áudio capturaram essa voz descrevendo detalhes de sua suposta vida anterior, usando linguagem vulgar e comportando-se de maneira agressiva. Análises posteriores de especialistas em voz indicaram peculiaridades que seriam difíceis de reproduzir por uma criança:
Médicos que examinaram Janet durante esses episódios notaram que, embora a voz parecesse sair de sua garganta, seus lábios mal se moviam e, em alguns casos, ela parecia estar em um estado semelhante ao transe.
Além das gravações de áudio, o caso gerou um considerável arquivo de fotografias e depoimentos de testemunhas. Entre as imagens mais impressionantes estavam:
Os testemunhos incluíam relatos de jornalistas, vizinhos, médicos e até mesmo céticos que visitaram a casa com a intenção de desmascarar o caso, mas saíram perplexos com o que presenciaram.
Um jornalista do Daily Mirror relatou: “Vi uma cadeira se mover aproximadamente quatro pés pelo chão sem que ninguém a tocasse. Também testemunhei brinquedos sendo arremessados pelo quarto das crianças quando ninguém estava perto deles.”
Os famosos investigadores paranormais americanos Ed e Lorraine Warren, conhecidos por casos como Amityville, também visitaram brevemente a casa em Enfield. Embora sua participação tenha sido limitada (uma visita de apenas um dia), eles declararam que o caso apresentava sinais genuínos de atividade paranormal.
A presença dos Warren contribuiu para a notoriedade internacional do caso, especialmente nos Estados Unidos. Anos depois, o caso Enfield seria parcialmente retratado no filme “Invocação do Mal 2”, reacendendo o interesse pelo caso original.
Contudo, é importante notar que os Warren não fizeram parte da investigação principal, que ficou a cargo de Grosse e Playfair durante seus 18 meses de trabalho contínuo.
Apesar da abundância de evidências e testemunhos, o caso Enfield gerou intenso debate entre crentes e céticos. Várias teorias foram propostas para explicar os fenômenos sem recorrer ao sobrenatural.
O caso sofreu um golpe significativo quando Janet e Margaret foram flagradas por câmeras escondidas aparentemente forjando alguns fenômenos. Em uma ocasião, Janet foi filmada dobrando colheres e manipulando cortinas, sugerindo que pelo menos parte dos eventos poderia ter sido encenada.
Os céticos, como a pesquisadora Anita Gregory e membros do Comitê para Investigação Cética, argumentaram que essas evidências eram suficientes para desacreditar todo o caso.
No entanto, defensores como Grosse e Playfair contra-argumentaram que alguns eventos fraudulentos não invalidavam necessariamente todos os outros fenômenos que haviam sido verificados independentemente.
Outra teoria proposta pelos céticos envolvia a possibilidade de Janet usar ventriloquismo para produzir a voz de “Bill”. O mágico Milbourne Christopher visitou a casa e sugeriu que Janet poderia estar utilizando técnicas de ventriloquismo, embora ele não tenha conseguido explicar completamente como uma criança de 11 anos poderia dominar uma habilidade tão complexa sem treinamento.
Experimentos controlados foram realizados para testar essa hipótese:
Os resultados foram inconclusivos, com alguns especialistas afirmando que seria fisicamente impossível para Janet produzir aquela voz continuamente sem treinamento especializado.
Anos depois, em entrevistas como adulta, Janet Hodgson admitiu que cerca de “2%” dos fenômenos haviam sido fabricados. Ela explicou que a pressão da mídia e a expectativa contínua de atividade paranormal ocasionalmente as levaram a forjar alguns incidentes quando nada estava acontecendo.
No entanto, Janet mantém firmemente que a grande maioria dos eventos – incluindo os mais dramáticos e bem documentados – foram genuínos e inexplicáveis. Ela e sua irmã Margaret continuam insistindo que vivenciaram algo real e traumático, que as afetou pelo resto de suas vidas.
Pesquisadores no campo da psicologia propuseram explicações alternativas, incluindo:
Estas teorias, embora plausíveis em aspectos específicos, têm dificuldade em explicar a totalidade dos fenômenos, especialmente aqueles testemunhados por múltiplos observadores independentes.
O caso do Poltergeist de Enfield transcendeu seu contexto original, tornando-se parte da cultura popular e inspirando numerosas adaptações e análises ao longo das décadas.
O caso inspirou várias produções:
Essas adaptações, embora com diferentes graus de fidelidade aos eventos originais, contribuíram significativamente para manter o caso no imaginário popular e apresentá-lo a novas gerações.
A documentação escrita sobre o caso também é extensa:
Este corpo de trabalho não apenas preservou os detalhes do caso para a posteridade, mas também permitiu novas análises e interpretações à luz de avanços nos campos da psicologia, parapsicologia e ciências forenses.
Enfield frequentemente é comparado a outros casos famosos:
| Caso | Período | Localização | Similaridades |
|---|---|---|---|
| Amityville | 1975-1976 | Nova York, EUA | Intensa cobertura midiática, contestações de autenticidade |
| Poltergeist de Thornton Heath | 1972 | Londres, Reino Unido | Proximidade geográfica, fenômenos similares |
| Caso da Fazenda Borley | 1929-1944 | Essex, Reino Unido | Extenso período de investigação, presença de “espírito comunicador” |
| Bell Witch | 1817-1821 | Tennessee, EUA | Voz inexplicável, fenômenos físicos |
O que diferencia Enfield desses outros casos é a quantidade e qualidade da documentação preservada, tornando-o um dos poucos casos históricos que ainda podem ser analisados com rigor científico mesmo décadas depois.

O interesse duradouro pelo caso Enfield ilustra o fascínio humano pelo inexplicável. Mesmo em uma era de avanços científicos sem precedentes, casos como este continuam a desafiar nossa compreensão completa da realidade.
Psicólogos sugerem que esse fascínio cumpre importantes funções sociais e psicológicas:
O debate sobre Enfield, portanto, transcende a simples questão “real ou fraude?” para tocar em questões fundamentais sobre a natureza da realidade e os limites do conhecimento humano.
Mais de quatro décadas após os eventos de Green Street, o que aconteceu com os principais envolvidos no caso?
Janet e Margaret Hodgson seguiram caminhos relativamente normais após o fim dos fenômenos, embora carreguem as marcas psicológicas de suas experiências.
Janet, a “focal point” dos fenômenos, trabalhou por anos no setor de saúde mental, uma escolha que alguns associam às suas experiências traumáticas. Ela concedeu relativamente poucas entrevistas ao longo dos anos, mas mantém consistentemente que os principais eventos em Enfield foram genuínos.
Margaret manteve um perfil ainda mais discreto, raramente falando publicamente sobre suas experiências. Ambas as irmãs constituíram famílias e tentaram seguir adiante, embora admitam que as memórias nunca as abandonaram completamente.
Em entrevistas recentes, Janet revelou: “Não é algo que você simplesmente supera. Você aprende a viver com isso, mas as memórias permanecem vívidas mesmo após todos esses anos.”
A casa no número 284 da Green Street passou por vários moradores desde os Hodgson, sem relatos significativos de atividade paranormal subsequente. A residência passou por reformas e modificações, mas mantém sua aparência externa modesta.
Curiosamente, muitos moradores subsequentes relataram não terem conhecimento da história da casa quando se mudaram, descobrindo apenas depois através de vizinhos ou pesquisas. Alguns relataram sensações estranhas ou desconforto inexplicável em determinados cômodos, enquanto outros não experimentaram absolutamente nada incomum.
A casa tornou-se um ponto de interesse para entusiastas do paranormal, embora os moradores atuais geralmente desencorajem visitas não solicitadas.
Maurice Grosse continuou seu trabalho com a Sociedade de Pesquisas Psíquicas até sua morte em 2006, aos 87 anos. Ele manteve até o fim sua convicção na autenticidade dos fenômenos de Enfield, dedicando parte significativa de sua vida a preservar e defender o caso.
Guy Lyon Playfair, que faleceu em 2018, escreveu extensivamente sobre Enfield e outros fenômenos paranormais. Seu livro “This House is Haunted” permanece a obra definitiva sobre o caso e foi base para várias adaptações.
Ambos os investigadores contribuíram significativamente para metodologias de investigação paranormal, estabelecendo protocolos que continuam influenciando pesquisadores contemporâneos.
O advento de novas tecnologias permitiu reanálises dos materiais originais:
Embora essas novas análises tenham esclarecido alguns aspectos do caso, elas não produziram explicações definitivas para todos os fenômenos relatados, mantendo o mistério de Enfield vivo mesmo no século XXI.
Em 2023, a Apple TV+ lançou “The Enfield Poltergeist”, uma série documental que revitalizou o interesse pelo caso.
A série distinguiu-se por:
A produção adotou uma abordagem equilibrada, apresentando tanto as evidências a favor da autenticidade quanto as possíveis explicações céticas, permitindo aos espectadores formarem suas próprias conclusões.
O documentário recebeu elogios por sua abordagem equilibrada e meticulosa. Críticos destacaram particularmente:
A série também gerou debates renovados sobre o caso, com especialistas modernos em psicologia, neurociência e investigação paranormal oferecendo novas perspectivas e teorias.
“The Enfield Poltergeist” está disponível exclusivamente na plataforma Apple TV+, que requer assinatura. A série é composta por episódios que cobrem cronologicamente os eventos, desde o início dos fenômenos até suas repercussões contemporâneas.
Espectadores devem estar preparados para:
Para quem se interessa pelo inexplicável ou simplesmente aprecia um bom mistério histórico, a série oferece uma excelente porta de entrada para o universo do fenômeno paranormal de Enfield.
O Poltergeist de Enfield permanece um enigma fascinante, um caso que resiste a explicações simplistas e continua a intrigar tanto crentes quanto céticos. Como Janet Hodgson observou em uma entrevista recente: “Algumas coisas na vida simplesmente não podem ser completamente explicadas, não importa quanto tempo passe.”
Quer você acredite em manifestações sobrenaturais ou prefira explicações psicológicas e sociológicas, o caso oferece um estudo fascinante sobre os limites da percepção humana e nossa busca contínua por compreender o aparentemente incompreensível.
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Nota: Este artigo apresenta os fatos conhecidos e teorias sobre o caso, sem endossar nenhuma interpretação específica. Os leitores são encorajados a pesquisar mais sobre o tema e formar suas próprias conclusões.
O caso permanece oficialmente não resolvido. Embora Janet tenha admitido que cerca de 2% dos incidentes foram forjados, muitos fenômenos significativos foram testemunhados por observadores independentes e permanecem inexplicados. O caso contém elementos que desafiam explicações convencionais, mesmo desconsiderando os episódios questionáveis.
A entidade identificou-se como Bill Wilkins, um homem que teria falecido na casa anos antes. Registros históricos confirmaram a existência dessa pessoa. Através da voz de Janet, “Bill” expressava raiva e confusão, mas suas verdadeiras motivações nunca foram esclarecidas.
Janet tinha 11 anos e estava entrando na puberdade – período que parapsicólogos associam à atividade poltergeist. Teorias alternativas sugerem que ela poderia estar manifestando estresse psicológico ou buscando atenção em uma família sob pressão socioeconômica.
As principais evidências incluem mais de 250 horas de gravações de áudio, fotografias de objetos em movimento, registros policiais documentando fenômenos testemunhados por oficiais, e depoimentos juramentados de jornalistas e investigadores. A quantidade e qualidade da documentação distinguem Enfield de outros casos similares.
Sim, diversos casos de poltergeist compartilham características similares: o Caso Amityville nos EUA, o Poltergeist de Thornton Heath também em Londres, e o caso Rosenheim na Alemanha. Enfield se destaca pela extensa documentação e pelo longo período de investigação sistemática.
A casa em Green Street passou por vários proprietários desde os Hodgsons. Alguns relataram sensações estranhas em determinados cômodos, enquanto outros não experimentaram nada incomum. A residência ainda existe e ocasionalmente atrai entusiastas do paranormal, embora os moradores atuais geralmente desencorajem visitas.
Janet e Margaret seguiram vidas relativamente normais, embora carreguem as marcas psicológicas da experiência. Janet trabalhou no setor de saúde mental. Ambas concederam poucas entrevistas ao longo dos anos, mas mantêm que os principais fenômenos foram genuínos e que a experiência as marcou profundamente.
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