O Primata (2026): terror com chimpanzé, caos e um bocado de sangue

Não é todo dia que um animal de estimação vira vilão principal de um filme de terror moderno — e isso já diz muito do espírito de O Primata. No novo longa de horror dirigido por Johannes Roberts, aquela viagem de férias em família que você imaginou no trailer acaba tão longe da praia paradisíaca quanto possível: o chimpanzé do título, inicialmente fofo e sociável, vira uma máquina de destruição visceral quando contrai raiva e embarca numa maratona de violência criativa.

A história se desenrola com uma certa lógica… primata: Lucy (interpretada por Johnny Sequoyah) decide passar uns dias na casa de família no Havaí, reunindo sua irmã mais nova, amigos e o pai, Adam (papel de Troy Kotsur, vencedor do Oscar). O chimpanzé Ben não é apenas um integrante exótico da casa: ele foi criado pela mãe de Lucy e, por isso, tem vínculos emocionais claros com todos. Mas quando um encontro nada amigável com um mico-leão-dourado portador de raiva deixa Ben infectado, o “animal de estimação” rapidamente se transforma na ameaça que ninguém queria ver — e que nenhum sinal de celular vai ajudar a enfrentar.

Crédito: Paramount

Um terror sincero e sem desculpas

Se você já viu filmes como Cujo (o clássico de Stephen King sobre um cachorro raivoso), O Primata entra na sala gritando “segura meu macaco”. A proposta aqui não é esconder a violência ou apelar para sustos ilusórios: desde os primeiros capítulos, o tom é direto, sujo e, sim, bem sangrento. A carnificina está lá para ser aproveitada — com efeitos práticos robustos e um ritmo que não perdoa a curiosidade de quem decide espiar atrás do sofá.

Críticos que viram o filme em festivais já comentam que a narrativa é simples — até propositalmente “básica” — mas eficaz no que promete: terror visceral com um chimpanzé que parece saber exatamente o que está fazendo quando decide que o elenco humano virou jantar.

O que funciona (e o que não funciona tanto)

O ponto forte de O Primata está justamente em sua falta de frescura:

  • Ben é um antagonista memorável — assustador e surpreendentemente criativo em sua brutalidade.
  • Os efeitos práticos, usados em vez de CGI em grande parte das sequências, dão um “peso físico” que raramente se vê em grandes produções atuais.
  • A escolha de situar a história em um cenário isolado — uma casa no topo de um penhasco com piscina e um chimpanzé infectado — cria um senso de claustro selvagem.

Por outro lado, nem tudo é perfeito: alguns críticos apontam que o roteiro não se preocupa tanto com consistência narrativa ou desenvolvimento profundo de personagens, favorecendo a ação e o gore sobre construção emocional de longo prazo.

Mas, francamente, se você entra no cinema esperando nuance profunda de personagem em um filme chamado O Primata, talvez o lance seja reconsiderar nossas escolhas de vida.

Estreia no Brasil e agenda de exibição

O Primata estreia nos cinemas brasileiros em 8 de janeiro de 2026, como parte do calendário global de lançamentos de horror que abre o ano. A produção, distribuída pela Paramount Pictures, tem duração de cerca de 1h29 e classificação indicativa alinhada ao conteúdo forte que exibe — bastante violência, sangue e cenas que não recomendam distração.

Por enquanto, o filme está somente em salas de cinema, sem datas oficiais para streaming ou lançamento em plataformas digitais, o que faz com que a experiência seja ideal para quem ainda valoriza o escuro da sala lotada, risos nervosos e gritos coletivos.

O macaco, o clima e aquela sensação de “não olhe para trás”

O que torna O Primata peculiar — além do título digno de teste de roteiro de bar — é o equilíbrio entre o ridículo e o aterrorizante. Há momentos que parecem tão exagerados que provocam uma risada nervosa na plateia, e outros em que você percebe o quanto isso pode ser perturbador simplesmente por causa do quão próximo o chimp é de nós (novamente: pense em todos os vídeos desconfortáveis de animais grandes e simpáticos que viraram notícia por mau comportamento… só que com centenas de minutos de sangue e sem filtro).

Ben, o chimp, rapidamente ocupa um lugar curioso no panteão dos vilões animalescos — talvez não tão icônico quanto um tubarão faminto ou um cachorro raivoso, mas definitivamente firme no território do cinema que sabe o que está vendendo: tensão crua, cores vibrantes de horror cartunesco e uma sensação de perigo constante.

Conclusão

O Primata é um filme de terror que assume com orgulho sua própria insanidade criativa. Ele não quer ser Shakespeare. Não quer reinventar o gênero. Quer ampliar, de forma sanguinolenta e divertida, o medo que a simples ideia de um grande símio fora de controle já provoca.

Se a sua ideia de “filme de horror” envolve gritinhos, sustos colecionáveis e aquela vontade de olhar pelo ombro no caminho para casa, este é um dos títulos obrigatórios do início de 2026 — um primo distante do clássico animal attack, com dentes, sangue e um chimpanzé disposto a tudo.

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