
Quando se fala em assombrações que marcaram o cinema, poucas histórias são tão fascinantes quanto o caso real da família Perron. Esta narrativa, que serviu de base para o filme “Invocação do Mal” (2013), é um dos relatos mais documentados e perturbadores do paranormal americano . Mas o que realmente aconteceu com os Perron naquela fazenda em Rhode Island? Neste artigo, vamos mergulhar fundo nos arquivos do caso real da família Perron, separando os fatos documentados da ficção cinematográfica, e descobrir onde estão os membros dessa família hoje.
Se você é um entusiasta do sobrenatural, prepare-se para descobrir detalhes que os filmes não mostram. O caso real da família Perron vai além de portas que batem e sustos ensaiados: é uma história de resistência, medo e sobrevivência que durou quase uma década, muito diferente do final “feliz” apresentado nas telonas .
Tudo começou em janeiro de 1971, quando Roger e Carolyn Perron decidiram mudar suas vidas para um cenário bucólico, mas antigo. Compraram uma espaçosa fazenda colonial em Harrisville, na região de Burrillville, Rhode Island, nos Estados Unidos . Acompanhados por suas cinco filhas — Andrea, Nancy, Christine, Cindy e April —, eles buscavam um refúgio rural, longe da agitação da cidade.
À primeira vista, a casa de 14 cômodos, situada em mais de três hectares de terra, era o sonho de qualquer família . Conhecida como Antiga Propriedade Arnold, a construção datava de 1736 e oferecia espaço mais que suficiente para acomodar o casal e as cinco meninas . No entanto, o que parecia um lar acolhedor logo se revelou um palco para eventos aterrorizantes.
Diferente do que o filme mostra — onde os ataques são intensos e imediatos —, a experiência dos Perron foi uma lenta e desgastante escalada de terror que se estendeu por quase uma década. A família viveu na casa até 1980, sofrendo com as assombrações durante todos esses anos . A filha mais velha, Andrea Perron, que mais tarde se tornaria a guardiã da memória da família, descreve em seus livros como o medo foi se instalando gradualmente, tornando-se parte da rotina.
Os eventos relatados pela família Perron são diversos e vão muito além das “aparições repentinas” típicas de Hollywood. Andrea Perron, autora da trilogia House of Darkness House of Light (que serviu de base para o filme), descreve um cenário de atividade paranormal constante e variada .
De acordo com os relatos do caso real da família Perron, as manifestações começaram de forma sutil. Objetos se moviam sozinhos, portas se abriam e fechavam sem explicação, e passos eram ouvidos no sótão quando todos estavam reunidos . As filhas mais novas acordavam os pais durante a madrugada, chorando por ter ouvido vozes de supostos fantasmas “enterrados nas paredes” .
Odores fétidos e inexplicáveis também eram sentidos em diversos cômodos, algo que a família não conseguia atribuir a nenhuma causa natural. O pai, Roger, relatava sentir uma presença fria e um cheiro podre no porão, além de notar quedas bruscas de temperatura .
Curiosamente, nem todas as aparições eram malignas. As crianças alegavam ver espíritos ao redor da casa — enquanto alguns pareciam inofensivos, brincavam e chegavam a dar beijo de boa noite nas crianças, havia aqueles que se mostravam agitados e agressivos .
Com o tempo, o caso real da família Perron ganhou contornos mais violentos. As camas levitavam alguns centímetros do chão, quadros e cadeiras eram derrubados sem explicação, e manchas desconhecidas apareciam e sumiam sem intervenção humana . As filhas tinham os cabelos e pernas puxados durante a noite, e a atmosfera dentro da casa se tornou sufocante, carregada de uma presença maligna .
À medida que os fenômenos se intensificavam, Carolyn Perron decidiu investigar o histórico da residência. O que ela descobriu foi aterrorizante: a fazenda havia pertencido a uma mesma família por oito gerações, e todos haviam vivido e morrido na propriedade .
Diversas mortes violentas e misteriosas aconteceram no território: uma criança foi assassinada, outras se afogaram no lago da fazenda, e várias se enforcaram no sótão . Entre as antigas moradoras, uma figura se destacava: Bathsheba Sherman, uma mulher que viveu na propriedade durante o século XIX.
O grande antagonista do filme é o espírito de Bathsheba Sherman, uma witch (bruxa) do século XIX que teria sacrificado uma criança e amaldiçoado a terra. Mas o caso real da família Perron apresenta uma versão bem mais complexa e levanta um alerta sobre como o passado das pessoas pode ser deturpado.
De acordo com as lendas locais e os registros do caso, Bathsheba era conhecida por ser satanista, além de estar envolvida em um caso de assassinato de uma criança . Conta-se que ela teria assassinado o bebê de um vizinho e se enforcado em uma árvore na parte externa da casa — sua lápide pode ser encontrada até hoje no cemitério da cidade .
A família desconfiava de que Bathsheba era a presença maligna na casa. Andrea Perron descreveu: “Ela se considerava dona da casa e se ressentia da competição que minha mãe fazia para essa posição” . As descrições da entidade eram horripilantes: um rosto “semelhante a uma colmeia de abelhas desidratada”, cheia de vermes, com a cabeça acinzentada “inclinada para um lado”, como se seu pescoço tivesse sido quebrado .
No entanto, pesquisas históricas mais recentes sugerem que a verdadeira Bathsheba Sherman (nascida em 1812 e falecida em 1885) foi uma mulher comum da época — esposa, mãe e vizinha respeitada em sua comunidade. A deturpação de sua imagem ocorreu devido a interpretações equivocadas de registros históricos .
Andrea Perron, após anos de pesquisa, passou a defender publicamente a memória de Bathsheba. Em entrevistas, ela afirmou que a verdadeira Bathsheba foi injustiçada. “Basicamente, Bathsheba levou a culpa por tudo de mal, e simplesmente não foi o caso” . Andrea acredita que o espírito maligno que atormentava sua família era de outra pessoa, possivelmente ligado a um terreno vizinho, e que Bathsheba era, na verdade, uma vítima da fama, tendo seu nome usado como um “bode expiatório” para o mal.

Não há dúvidas de que Ed e Lorraine Warren visitaram a fazenda e investigaram o caso. No entanto, o papel deles no caso real da família Perron foi muito menos central e heroico do que o mostrado no filme .
De acordo com relatos, os Warrens chegaram à propriedade em 1973 (ou 1974, segundo outras fontes), depois que a família já sofria com os fenômenos há cerca de dois anos . Eles foram chamados por outros pesquisadores paranormais que já estavam envolvidos no caso .
Por vários anos, os investigadores tentaram ajudar os Perron. Lorraine, que era médium, tentou se comunicar para entender o que os espíritos queriam, mas os ataques apenas se intensificavam .
O clímax dos eventos reais não foi um exorcismo triunfante, como mostrado no filme, mas sim uma sessão espírita conduzida pelos Warrens que deu terrivelmente errado .
Andrea Perron, que espiou a sessão escondida, descreve uma cena perturbadora: sua mãe começou a falar em uma língua desconhecida (glossolalia), com uma voz que não era a sua. Em seguida, a cadeira em que Carolyn estava sentada teria levitado e ela foi arremessada do outro lado da sala, a cerca de seis metros de distância .
“A noite em que pensei que veria minha mãe morrer foi a noite mais terrível de todas”, relatou Andrea. “Ela falou com uma voz que nunca tínhamos ouvido antes e uma força que não é deste mundo a jogou” .
Após esse evento aterrorizante, Roger Perron, exausto e vendo o perigo para sua família, ordenou que Ed e Lorraine Warren deixassem sua casa imediatamente . Diferente do que muitos acreditam, não foi conduzido um exorcismo para retirar o espírito de Carolyn — apenas uma sessão espírita que deu muito errado .
Os Perron viveram na fazenda por cerca de dez anos, até 1980, quando finalmente tiveram condições financeiras de se mudar para a Geórgia . A vida após a fazenda foi de reconstrução e silêncio dos espíritos, que nunca mais os acompanharam .
A famosa fazenda onde ocorreu o caso real da família Perron, localizada na 1677 Round Top Road, ainda está de pé e tornou-se um destino para caçadores de fantasmas e curiosos do mundo todo.
Ao longo dos anos, a casa passou por vários proprietários. Norma Sutcliffe, que morou no local entre 1987 e 2019, descreveu sua experiência de forma surpreendente: ela afirmou que nunca viu nenhum fantasma ou atividade incomum durante suas décadas na propriedade, atribuindo eventuais barulhos a causas naturais . O verdadeiro “inferno” para ela foram os fãs de “Invocação do Mal” que não paravam de visitar e até invadir sua propriedade, levando-a a processar a Warner Bros. em 2015 .
Os donos que assumiram depois, Cory e Jennifer Heinzens (de 2019 a 2021), já tinham uma experiência diferente. Em entrevista de 2019, Cory Heinzen contou: “Tivemos portas se abrindo, passos e batidas. Eu tive dificuldade em ficar lá sozinho. Não tenho a sensação de nada ruim, mas você pode dizer que há muitas coisas acontecendo na casa” .
Em 2022, a propriedade foi vendida por impressionantes US$ 1,5 milhão (mais de 7 milhões de reais) para a atual proprietária, Jacqueline Nuñez . Os Heinzens estavam decididos a vender apenas para alguém que se comprometesse a mantê-la aberta para visitações, rejeitando inclusive propostas de demolição total da casa .
Jacqueline Nuñez afirmou sobre a compra: “Você não pode duvidar da energia que está naquela casa. Posso dizer que se aquela casa não quisesse ser vendida, não seria vendida” . Segundo os antigos proprietários, Nuñez não poderá ficar no local por muito tempo seguido, pois a energia acumulada se torna muito pesada e perigosa .
Atualmente, o local funciona como uma atração turística chamada The Conjuring House. É possível fazer tours de uma hora ou, para os mais corajosos, alugar a casa para uma “investigação noturna”. Durante a pandemia de 2020, a casa ganhou notoriedade ao realizar transmissões ao vivo com câmeras posicionadas pelos cômodos, permitindo que o público tentasse flagrar atividades paranormais .
Ao final dessa jornada pelo caso real da família Perron, fica claro que a verdade, como sempre, é mais complexa e, de certa forma, mais fascinante do que a ficção cinematográfica.
O caso real da família Perron nos ensina que o medo autêntico não está nos sustos fáceis de Hollywood, mas na angústia prolongada de viver anos com o inexplicável. Foi uma experiência que deixou cicatrizes profundas em todos que viveram — e sobreviveram — àquela fazenda em Rhode Island .
E você, depois de conhecer todos os detalhes do caso real da família Perron, ainda teria coragem de passar uma noite na “Conjuring House”?
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