
Sabe aquela sensação de ouvir uma história contada ao redor de uma fogueira, em uma noite escura, com o vento uivando lá fora? A voz do contador é baixa, pausada, e você sente um frio na espinha não porque a história tem fantasmas, mas porque ela fala de coisas que poderiam acontecer. Com qualquer um. Talvez até com você.
O Vilarejo, de Raphael Montes, é exatamente essa história. E acredite: ela não deveria ser lida em uma noite de lua cheia — mas você não vai conseguir parar .
Publicado pela Editora Suma em 2015, este pequeno livro de 96 páginas é um soco no estômago em forma de literatura . Não é grande. Não é pomposo. Não tem 500 páginas de construção de mundo. Mas carrega dentro de si uma densidade tão brutal que, quando você termina, precisa de um tempo para processar o que acabou de ler. É o tipo de livro que cabe na bolsa, mas não sai da cabeça .
E o mais perturbador? Raphael Montes não usa monstros. Não usa assombrações. Não usa sustos fáceis. O horror, aqui, é humano. É a fome. É o frio. É o desespero. É o que uma pessoa é capaz de fazer com outra quando o mundo desaba ao redor, quando a moral se torna um luxo que ela não pode mais pagar .
Vamos entrar nesse vilarejo? Mas, se me permite um conselho: prepare o estômago.

Uma das sacadas mais geniais de O Vilarejo é a forma como Raphael Montes nos introduz à história. O livro não começa diretamente com a narrativa dos moradores. Começa com o próprio autor — ou uma versão ficcional dele — contando como os manuscritos chegaram às suas mãos .
A história é a seguinte: um amigo escritor comprou alguns cadernos antigos da bisneta de uma senhora chamada Elfrida Pimminstoffer. A bisneta não quis dar muitas informações, apenas queria se livrar daqueles papéis velhos. O material foi parar com Montes, que os examinou e descobriu que os textos estavam escritos em cimério — uma língua morta pertencente ao ramo botno-úgrico, de acordo com o prefácio .
Com muito esforço — e com um dicionário de italiano-cimério — Montes traduziu os diários. O resultado são os contos que compõem este livro. Relatos fragmentados, escritos ao longo do tempo por diferentes pessoas, que contam a história de um vilarejo esquecido em algum lugar remoto do leste europeu, em meio a uma guerra brutal e um inverno implacável .
Essa estrutura não é apenas um artifício narrativo. Ela é fundamental para criar a atmosfera do livro. Os textos parecem autênticos, como se tivessem sido encontrados em um arquipo empoeirado. As ilustrações de Marcelo Damm — que incluem manchas de sangue, fotografias granuladas e papéis “sujos” — reforçam essa sensação de que você está lendo algo que não deveria .
O que Raphael Montes faz aqui é brincar com o leitor. Ele se insere na história, cria uma camada de metaficção, e nos convida a acreditar que aquilo realmente aconteceu. E, mesmo sabendo que é ficção, você não consegue deixar de sentir um calafrio — como se, em algum lugar, aquele vilarejo realmente existisse.
O coração de O Vilarejo são os sete contos que compõem a obra. Cada um deles leva o nome de um demônio — uma referência à classificação feita em 1589 pelo padre e demonologista alemão Peter Binsfeld, que associou cada um dos sete pecados capitais a um demônio específico .
| Demônio | Pecado Capital |
|---|---|
| Belzebu | Gula |
| Leviathan | Inveja |
| Lúcifer | Soberba |
| Asmodeus | Luxúria |
| Belphegor | Preguiça |
| Mammon | Ganância |
| Satan | Ira |
O mais fascinante é que, embora cada conto possa ser lido de forma independente, eles se conectam de maneiras que você não espera . Personagens que aparecem como coadjuvantes em uma história se tornam protagonistas em outra. Eventos que parecem isolados se revelam parte de uma teia maior. E, no final, tudo converge para uma única e surpreendente conclusão — que eu não vou estragar, prometo.
Vamos conhecer cada uma dessas histórias. Mas, atenção: os detalhes são fortes. Se você tem estômago fraco, talvez queira pular para a próxima seção.
O vilarejo está sofrendo com um inverno rigoroso. A neve cobre tudo. A comida acabou. As pessoas estão morrendo de fome. Felika, uma mãe de três filhos, espera o retorno do marido, Anatole, que saiu para caçar. Enquanto ele não volta, ela faz o impossível para manter os filhos alimentados. Vizinhos batem à porta pedindo comida, mas ela nega. Sua família em primeiro lugar.
Quando Anatole finalmente retorna, ele encontra a mulher… mais gorda do que quando partiu. E os filhos? Bem, os filhos… você já deve imaginar .
A cena é de uma crueldade tão seca, tão direta, que dói. Montes não floreia. Ele descreve. E o que ele descreve é a banalização do horror que acontece quando a fome aperta e a moral se torna um luxo.
Como escreve a resenha da Folha de S.Paulo: “Tangidos pela guerra, porém, pressionados pela fome e pelo frio, acossados pelo medo e pela solidão, eles deixam que a luta pela sobrevivência os transforme em predadores sexuais, torturadores, assassinos” .
Conhecemos Vália, a irmã mais velha, noiva do único rapaz bonito e simpático do vilarejo. E conhecemos as gêmeas Velma e Vonda, mais novas, que adoram inventar histórias sobre os moradores .
A inveja, aqui, é sutil no começo. Vonda, em particular, tem uma criatividade que beira o doentio. Ela inventa, distorce, amplifica. E suas histórias têm consequências reais — consequências que vão muito além do que uma criança deveria ser capaz de causar .
O que Montes faz neste conto é explorar como a inveja pode ser destrutiva mesmo quando vem de onde menos se espera. Uma irmã mais nova, aparentemente inocente, que brinca no campo com as amigas… até que sua imaginação se torna uma arma.
Um homem negro, chamado Mobuto, chega ao vilarejo em busca de suas filhas desaparecidas. Os moradores, que nunca viram alguém com aquele tom de pele, o olham com desconfiança. Quase o lincham. Mas Helga — uma mulher da vila — intervém. Ela o acolhe, dá comida, teto, proteção .
Parece uma história de bondade, não? Pois é aí que Montes nos engana.
Helga não é uma santa. Ela é uma mulher que quer ser vista como boa. Ela quer o reconhecimento, a gratidão, a admiração. E, quando Mobuto tenta seguir seu caminho para continuar a busca pelas filhas, ela não aceita. A “bondade” dela tem um preço. E o preço é a submissão do outro .
A soberba de Helga é a mais insidiosa das formas de orgulho: a certeza de que se é moralmente superior. E é essa certeza que a leva a cometer atos de uma crueldade que ela mesma não reconhece como crueldade.
Este é, para muitos leitores, o conto mais chocante do livro .
Mikhail é um homem comum do vilarejo. Mas ele guarda um segredo obscuro envolvendo uma menina chamada Jekaterina. A história é narrada de forma oblíqua, com sugestões e elipses — mas o que fica nas entrelinhas é tão perturbador quanto qualquer cena explícita.
Uma leitora descreveu o impacto: “A doce Jekaterina… nossa, que nojo” . É a reação correta. O conto sobre luxúria não é sobre desejo. É sobre abuso. É sobre poder. É sobre como a violência sexual é, antes de tudo, uma manifestação da capacidade humana de destruir o outro.
Montes não se alonga em descrições gráficas, mas o que ele sugere é suficiente para deixar qualquer leitor com o estômago embrulhado.
Ivan é o ferreiro da vila. Nasceu com “os ossos largos, uma compleição física robusta, característica dos homens de força incomum” . Todos esperavam que ele fosse um herói, um líder, um exemplo de vigor e prosperidade.
Mas Ivan não era nada disso. Nunca havia sido.
Ele veio ao mundo com uma força negativa — “algo inanimado e abstrato que pesava em todos os seus pensamentos” . A preguiça de Ivan não é apenas a falta de vontade de trabalhar. É uma apatia profunda, uma incapacidade de agir, uma paralisia da vontade que o consome por dentro.
E, para manter sua posição na vila sem precisar se esforçar, Ivan recorre a meios cada vez mais cruéis. Ele não quer fazer o trabalho pesado. Quer que os outros façam por ele. E está disposto a matar para garantir que assim seja.
Latasha é uma garota que vive com a avó, uma mulher obcecada por economizar. Cada centavo é guardado. Cada pedaço de comida é racionado. A avó de Latasha acumula, acumula, acumula — e nunca gasta. O porquinho de porcelana é o símbolo dessa ganância: um objeto que representa o dinheiro que nunca é usado, a riqueza que não serve a ninguém .
Latasha sofre as consequências da avareza da avó. Passa fome. Passa frio. É negligenciada. A ganância da avó não é apenas um pecado contra Deus; é um pecado contra a neta, contra a família, contra a própria humanidade.
O conto final — e a chave que conecta todas as outras histórias. Satan é sobre a ira, sobre a violência irracional, sobre a destruição que um homem pode causar quando perde completamente o controle.
E, mais importante, é neste conto que descobrimos que todas as histórias anteriores estavam interligadas. Personagens que apareciam como coadjuvantes se revelam peças centrais. Eventos que pareciam desconectados se encaixam como um quebra-cabeça macabro. E a figura que perpassa todas elas — um homem que talvez seja o próprio diabo, ou talvez seja apenas o pior que há em cada um de nós — finalmente se revela.
Como escreve Montes em uma das passagens mais marcantes do livro: “Perceba, Anatole, que nunca inseri o pecado ou o mal nas pessoas. O mal já estava lá. Eu apenas o potencializei” .
Essa frase resume o espírito de O Vilarejo. O mal não vem de fora. O mal está dentro de cada um de nós, adormecido, esperando a circunstância certa para despertar. A guerra, a fome, o frio, o desespero — tudo isso são apenas gatilhos. O monstro já estava ali.
O Vilarejo é um livro pequeno, mas denso. É uma obra que não pede licença, não suaviza os cantos, não oferece consolo. É um soco no estômago em forma de literatura. E, por isso mesmo, é inesquecível.
Uma das coisas mais interessantes em O Vilarejo é a forma como Raphael Montes brinca com a linearidade temporal. Os contos não seguem uma ordem cronológica. Eles vão e voltam no tempo, mostrando diferentes momentos da história do vilarejo, diferentes perspectivas dos mesmos eventos .
Isso pode soar confuso, mas Montes é habilidoso o suficiente para que a leitura seja fluida. Você pode se perder um pouco no começo — quem é Fulano? O que aconteceu com Beltrano? — mas, aos poucos, as peças vão se encaixando. E, quando finalmente você entende o quadro completo, o impacto é devastador.
A grande sacada de O Vilarejo — e o que o torna tão perturbador — é que os personagens são gente comum. Não são psicopatas caricatos, não são assassinos em série com infâncias traumáticas. São mães que amam seus filhos, irmãs que brincam juntas, vizinhos que se ajudam. Pessoas como a gente .
E é exatamente por isso que suas ações são tão aterrorizantes. Porque, no fundo, você sabe que, nas mesmas circunstâncias — fome, frio, desespero, medo — talvez você fizesse a mesma coisa. Ou, pelo menos, entenderia quem fez.
Uma resenha da Amazon capturou bem essa sensação: “O autor nos leva a uma reflexão sobre a que ponto chega à maldade humana, em até que ponto chegamos a fazer algo que em algum momento achávamos que nunca faríamos” .
Outro ponto alto do livro são as ilustrações de Marcelo Damm. Elas não são meros enfeites. São parte da narrativa. Há manchas de sangue, fotografias granuladas, páginas com aspecto de “sujas”, rabiscos .
A última ilustração, em particular, é uma revelação que amarra todo o livro. Uma leitora descreveu a experiência: “a última foto, que veio fechar a trama com chave de ouro” . Outra leitora disse: “A última imagem arrepiou-me e nunca me tinha passado pela cabeça, mas faz todo o sentido que seja ela” .
O livro é, em muitos sentidos, uma experiência visual. As imagens dialogam com o texto, amplificam o horror, sugerem coisas que as palavras não dizem. E, quando você termina, a imagem final fica na sua cabeça — assombrando você.
Por baixo do sangue e do horror, O Vilarejo é uma crítica mordaz à condição humana. Montes não está apenas escrevendo contos de terror. Ele está perguntando: o que acontece com a moralidade quando as condições materiais da vida se tornam insustentáveis? O que sobra do “ser humano” quando a humanidade se torna um luxo?
A guerra, a fome, o frio — tudo isso são contextos. Mas o mal, Montes nos mostra, não é criado pelo contexto. Apenas é revelado por ele.
Como escreve a Folha de S.Paulo: “Seu caráter é tanto mais terrível porque os personagens são gente comum, de boa cepa — uma prestimosa mãe de três filhos, irmãs adolescentes que brincam sem culpa por campos verdejantes, trabalhadores que mourejam para garantir o sustento da família” .
O Vilarejo não é um livro para todos. É bom que você saiba no que está se metendo.
Com apenas 96 páginas, o livro é curto — muito curto. E isso pode ser um problema para alguns leitores . Uma resenha do Skoob apontou: “Senti falta justamente disso: maior aprofundamento dos casos para que pudesse me envolver com os personagens. Não consegui me conectar com eles, o que dificultou meu envolvimento com o desenrolar das histórias” .
É uma crítica justa. O livro não se aprofunda na psicologia dos personagens. Eles são mais arquétipos do que pessoas reais — representações dos pecados que encarnam. Se você prefere romances longos, com desenvolvimento detalhado de personagens, pode sentir falta de mais carne (não foi um trocadilho infeliz, juro) nos ossos da narrativa.
Outro ponto que divide opiniões é o tom moralista que emerge no desfecho. A Folha de S.Paulo apontou que, no último conto, “o moralismo salta dos recônditos do tecido da trama e se expõe de forma explícita, incomodamente didática” . Alguns leitores podem sentir que a mensagem final é um pouco óbvia demais, quebrando a sutileza que havia sido construída até então.
Uma leitora do Skoob expressou a mesma opinião: “O final foi como uma quebra de expectativa, meio que tirou todo o gostinho de terror do livro” .
Este é o ponto mais importante. O Vilarejo contém cenas de :
Uma leitora alertou: “É um livro bem forte e com cenas pesadas” . Outra leitora disse simplesmente: “Tenebroso. Raphael Montes, o que foi isso?? Estou traumatizada pelo resto da vida” .
Se você é sensível a esses temas, talvez seja melhor deixar este livro para outra hora. Mas, se você já conhece o estilo de Raphael Montes e está preparado para o desconforto, vai encontrar ali uma obra que não vai te largar tão cedo.
As avaliações de O Vilarejo são, em sua maioria, positivas — mas com ressalvas.
Uma leitora do Skoob deu 5 estrelas e escreveu: “A cada obra do Raphael Montes me torno cada vez mais sua fã. Esse livro é uma verdadeira experiência — breve e impactante —, o charme é a escrita perfeita e como as histórias se completam e conversam entre si. O final — a chave de ouro — e as ilustrações trouxeram a faísca que eu precisava para voltar a ler” .
Outra leitora, no mesmo site, foi ainda mais enfática: “Raphael Montes é artista e um ótimo contador de histórias” .
Uma avaliação da Amazon destacou: “Que livro, é curtíssimo, são contos onde o autor reúne histórias separadas mas que se ligam no final. O comentário do autor André Vianco é muito certo: você lê o livro numa sentada só, porque não consegue mais parar!” .
No entanto, há quem tenha ficado com um gosto agridoce. Uma leitora do Skoob apontou: “Não sei o que falar… não é que eu não gostei, porque depois de um tempo começa a fazer sentido… mas também não achei taaaaao interessante assim” . Outro leitor disse: “O livro definitivamente não é ruim. Porém, acho que não me acostumo com a narração em formato de contos, achei todos eles relativamente rasos” .
O consenso parece ser: O Vilarejo é uma experiência única, perturbadora e inesquecível — mas não é um livro para todos. Se você tem estômago para o horror e mente aberta para a crítica social, vai encontrar ali uma das obras mais originais de Raphael Montes.
Se tem um nome que já é garantia de estômago revirado na literatura brasileira, esse nome é Raphael Montes. Nascido no Rio de Janeiro em 1990, o autor estreou em 2012 com Suicidas, um romance que já nasceu clássico e o consagrou como um dos nomes mais promissores do suspense nacional .
Depois vieram Dias Perfeitos (2014), Jantar Secreto (2016), Uma Mulher no Escuro (2019) e, claro, O Vilarejo. Além da literatura, Montes também é roteirista — escreveu a novela Beleza Fatal para a Max e foi um dos criadores da série Bom dia, Verônica, da Netflix.
O Vilarejo é, de certa forma, um livro atípico em sua carreira. É sua primeira incursão pelo terror — antes, ele se dedicava mais ao suspense policial . E, como ele mesmo disse em entrevista ao O Globo, enveredar pelo gênero de Stephen King foi uma espécie de “traição”:
“Ainda estava imerso na literatura policial, mas comecei a rascunhar essas histórias de terror. Como foi um trabalho sem nenhuma pretensão, foi uma delícia. O processo foi bem menos doloroso” .
O livro também foi classificado como um romance fix-up — um termo usado para descrever obras em que o autor faz pequenas modificações em textos já existentes para dar a eles coesão estilística e temática . Montes não conhecia o gênero, mas descobriu que era a melhor maneira de enquadrar O Vilarejo: escreveu dois contos primeiro, percebeu que poderiam render um livro, e criou outros cinco para dar a eles o mesmo fio narrativo.
O Vilarejo está disponível no Brasil pela Editora Suma (selo do Grupo Companhia das Letras) em formato brochura, com 96 páginas . A edição é um primor: papel pólen amarelado, letras em tamanho adequado, margens confortáveis, e as ilustrações de Marcelo Damm que são parte essencial da experiência .
O livro é leve — 190 gramas — e cabe em qualquer bolsa ou mochila. Dá para levar para o trabalho, para a faculdade, para o metrô. Mas, honestamente, não é o tipo de livro que você vai querer ler em público. Porque as caretas que você vai fazer quando ler certas passagens vão chamar a atenção .
A classificação indicativa é 16 anos — mas, como uma leitora alertou, “ESTE É UM LIVRO ADULTO e não deve ser lido por crianças!” . É um aviso para levar a sério.
Recomendado para:
Não recomendado para:
O Vilarejo não é o livro mais famoso de Raphael Montes. Não é o mais aclamado pela crítica. Não tem a fama de Jantar Secreto ou Bom dia, Verônica. Mas é, para muitos leitores, um dos mais impactantes que ele já escreveu.
Porque, no fundo, O Vilarejo é sobre a banalidade do mal. Sobre como pessoas comuns, em circunstâncias extremas, podem cometer atos monstruosos. Sobre como a moralidade é um luxo que a gente só pode pagar quando a barriga está cheia e o corpo está aquecido. Sobre como o monstro, no fim das contas, não está no esgoto — está dentro de cada um de nós, esperando a oportunidade certa para sair.
Uma leitora resumiu bem: “Acho que hoje vou dormir de luz acesa” .
É isso. O Vilarejo não te dá medo de fantasmas. Te dá medo de você. De saber o que você seria capaz de fazer se o mundo desabasse ao seu redor. De olhar para o vizinho, para o amigo, para o parente, e pensar: “e se?”
Como escreveu Raphael Montes nas páginas finais: “Não importa quanto tempo seja preciso. O pecado sempre nos mata” .
E, depois de ler O Vilarejo, você vai entender exatamente o que isso significa.
Ficha Técnica:
| Item | Informação |
|---|---|
| Título | O Vilarejo |
| Autor | Raphael Montes |
| Editora | Suma (selo do Grupo Companhia das Letras) |
| Ilustrações | Marcelo Damm |
| Páginas | 96 |
| Ano | 2015 |
| ISBN | 9788581053042 |
| Gênero | Terror Psicológico / Suspense / Contos |
| Formato | Brochura |
| Classificação etária | 16 anos (recomendado) |







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